Knight of Gotham
21.07.2008 | Geral
Anunciei no twitter com erros gramaticais e tudo: The Dark Knight é o Godfather dos filmes baseados em histórias em quadrinhos. Ia arriscar uma resenha, pra ver se conseguia falar do filme de forma diferente, mas deixa pra lá. Tem muita gente legal por aí escrevendo o que deve ser escrito, votando no IMDB e propagando que a atuação do Ledger é sim algo com um quê de sensacional e que finalmente o morcego teve o tratamento digno nas telas que merece um Cavaleiro Negro. De repente aquela idéia de ver o Eastwood como um Wayne aposentado não parece tão irreal.

Provavelmente falarei de alguns spoilers aqui, então tejem avisados. O que mais me surpreendeu durante a sessão foi o grau de envolvimento da platéia. Aqui em Belém sessões de estréia de grandes filmes nerds geralmente honram a tradição de grtaria, torcida e outras presepadas que só nerds conseguem fazer no cinema, como por exemplo cosplay. E nesse filme a casa estava cheia. Desde o trailer do X-Files (que vai ser bem meia boca, hein) até o momento que o coringa surpreende todos na tela a gritaria estava presente.
Normalmente eu ficaria um pouco chateado, mas dava pra entender, diabos, até eu queria gritar! Era o filme do morcego que todo mundo estava esperando. E a gritaria continou desenfreada, já que o filme é uma ladeira abaixo. Sabe a cena em que o Gordon aparece depois de dado como morto? Aquilo ali me arrepiou, teve nego batendo palma de pé. Ali naquela sessão estavam um monte de caras que pareciam entender o quanto o comissário Gordon representa. Isso me fez aproveitar bem mais o filme, é fato.
Não que precisasse desse clima de estádio. O filme não precisa de empurrão algum pra se fazer uma obra de primeira grandeza na tela. Na primeira vez que Bruce Wayne aparece na tela, abatido, se costurando e tentando se manter são você já sabe que o filme tem algo de diferente. O Coringa aparece só pra confirmar tudo isso, sádico e incontrolável. Perdeu marvete, é da DC o maior filme de super-heróis sem super-heróis.
2 ComentáriosLife is Bullshit and It’s Bad For Ya
23.06.2008 | 42
Semana passada lá no twitter todo mundo estava babando em cima daqueles caras, Daniel Gentilli e Rafinha Bastos. Grandes merdas. Dois babacas com piadas fracas sem nada pra dizer, sem nada para falar sobre com o mínimo de astúcia e rebeldia. Pode ser comédia para uma blogsfera iludida e babaca. Pode ser. Pra mim George Carlin é comédia, é algo pra se assistir, rir e recomendar.
Aí ele morreu. Esse era galo. Quatorze especiais na HBO e vários discos de comédia, cinquenta anos de carreira. O seu último especial da HBO chamdo It’s Bad For Ya ainda é facilmente encontrado em torrents. Se você não conhece o mestre, é um bom começo. Aprenda com ele que people are fucked. Não sabe inglês? Taí um bom motivo pra começar a arranhar seus primeiros exercícios de to be.
Assista TUDO.
O Nix já fez o obituário dele, o Bruno também. Chegou a minha vez. De repente o nosso time, o dos caras sacanas que tão pouco se lixando pra muita coisa e que mais querem ficar em paz enquanto reclamam o máximo das merdas que todo mundo acredita e faz, fica desfalcado. Mas que seja. Life is worth losing, já diria Carlin.
6 ComentáriosThis Is My Luck
19.06.2008 | Geral
Ontem eu caminhava apressadamente a caminho da faculdade para fazer mais uma daquelas provas que salvariam o meu semestre, repassando mentalmente vários tópicos estudados enquanto tentava empurrar essa música pra fora da cabeça quando vejo um cara grandão, típico garoto de academia, fechar o carro estacionado e caminhar em minha direção com a determinação de um búfalo com uma missão a cumprir. Se não fosse a minha total leseira no momento com certeza teria percebido que toda aquela determinação tinha um intuito muito ruim e vinha em minha direção.
A poucos metros de distância eu já tinha descartado o cara como algo perigoso, talvez ele tivesse visto algo na portaria de algum prédio e fosse lá fazer onda, porém o olhar que ele deu pra mim quando chegou na distância certa de soltar um enorme gancho de direita não deixou dúvidas. Eu era a missão a cumprir. E o gancho veio, como se estivesse num ringue ele calculou a distância certa para deixar pouco espaço para um contra-ataque e ainda se proteger de mim. Ele parecia ter esquecido que eu estava desatento, pensando em Pierre Lévy e só notei a merda quando estava praticamente mergulhado nela. Qualquer reação minha seria um tanto desesperada, um contra-ataque parecia fora de questão. Por um reflexo quase que involuntário movi a cabeça para a esquerda e para trás e desviei de um punho que certamente iria acabar com o meu queixo sem cerimônia alguma. Deu pra sentir a brisa passando no meu rosto. O cara era gigante em relação a mim, que já não sou lá muito pequeno.
Calcular a distância não só serviu pra ele fazer um ataque eficiente como para deixá-lo em posição privilegiada após a falha do seu gancho para mais um golpe, dessa vez na minha barriga com o braço esquerdo. Como se fosse um boneco inclinei totalmente para frente e para baixo quando senti a porrada no estômago. Eu ia dizer que é engraçado o quanto de coisa que a gente consegue pensar nessas horas, mas na verdade tinha três coisas em mente naquele momento: 1 - esse cara estava determinado a me bater por um bom período de tempo e parar para conversar não era opção, 2 - por que justo nesse dia eu carregava na minha mochila além do notebook dois livros grandes 3 - eu não ia conseguir revidar esses golpes dele, não na atual forma sedentária em que me encontro, com alguns quilos a mais e total desatenção.
Ao virar o rosto para a direita percebi pessoas do outro lado da rua parando de andar pra olhar a situação. Lembrei do notebook e vi que era ou correr ou fazer alguma coisa, ver se aqueles anos de karatê serviria pra alguma coisa. Aguentar uma surra eu consigo, mas danificar o notebook era impensável. Pra mim bastava alguns curativos, pra ele, semanas na assistência. Me joguei na direção do grandão, segurei o seu pulso direito que já estava a caminho de mais um soco no meu rosto, joguei pro lado e puxei pra baixo num movimento só, fazendo o cara se inclinar um pouco e ficar na posição perfeita para levar uma cotovelada no nariz que doeu tanto em mim que quase pensei que tinha acertado um dente.
Aí a coisa ficou um a um, ia dizer que na hora pensei “IT’S ON NOW, BITCH!” mas estava com outras preocupações na mente. Com a cotovelada ele se afastou, aproveitei para proteger minhas costas e ficar em posição para terminar aquela brincadeira, ou seja, atingir as bolas dele. O cara tinha algum treino, após a cotovelada nem ao menos passou a mão no rosto, apenas se recuperou do golpe e quando viu que eu estava em posição pra fritar os ovos dele afastou-se os centímentros necessários para que a minha perna direita passasse voando no vazio. O mais patético é que nem consegui levantá-la direito, se tivesse acertado era capaz de fazer quase nenhum efeito. Não dava mais pra usar as pernas.
Ele veio como um foguete pra cima de mim, protegendo o rosto com a mão direita e soltando a esquerda num jab incrivelmente lento. Foi o único momento em que realmente pensei que poderia vencer dele, quando vi aquele jab lerdo vindo em minha direção, mais uma vez segurei o pulso dele e puxei em minha direção, dessa vez soltando o mesmo gancho que ele usou pra começar a brincadeira direto no rosto dele. Pegou em cheio e quase estraçalhou a minha mão, esse cara parecia feito de pedra. Ainda segurando o seu braço direito aproveitei para esticá-lo e fazer uma coisa que poderia dar muito certo ou muito errado: com a minha mão direita aberta, me abaixei um pouco e usei a força (parca) das pernas para ganhar o impuslo necessário para empurrar a mão contra cotovelo dele. Só quando senti minha mão dar de encontro com aquele pedaço de osso que ele devia chamar de cotovelo lembrei que ele era um cara malhado e com certeza eu teria que ser bem mais forte para causar alguma dor fazendo isso. Mas funcionou, incrivelmente funcionou. Escutei um CLAC baixo e senti as pernas dele arquearem, nesse momento usei o meu cotovelo direito outra vez na cara dele, dessa vez com certeza eu atingi algum dente. Doeu pra caralho em mim.
Então ele se jogou contra a minha cintura num misto de desespero cego, parecendo um jogador da NFL. Game Over. Eu ia cair de costas e foder todo o notebook. Com certeza esse cara sabia algo de jiu jítsu e ia montar em cima de mim e me maltratar como se tivesse dois martelos nas mãos. Eu não tinha força para desviar ou segurá-lo em pé. Me abaixei o que pude e segurei a cabeça dele, já encostada na minha barriga. Da forma que pude. Escutei meus sapatos arrastarem na calçada. Ele apertou os braços em volta da minha cintura, eu soltei um gemido rouco. Senti ele folgar os braços e se afastar. Era o momento pra eu ganhar fôlego. Como se prevendo isso ele rapidamente afastou-se um pouco, passou a perna direita atrás das minhas e virou o braço contra o meu peito fazendo com que eu fosse de encontro ao chão, fazendo um barulho seco que a sua cabeça faz quando bate contra o concreto. Perdi.
Eu já esperava ele se jogar contra mim no chão, mas isso não vi isso acontecer. Apaguei totalmente. Acordei na faculdade, jogado em um banco de corredor com o nariz escorrendo litros de sangue, catarro e suor. Tudo doía. Que nem aquela piada “dói quando eu respiro, doutor”. Do outro lado vi a minha mochila em pé, parecia intacta. Ao me ver acordando reconheci Rodolfo (ou Moranis, como costumo chamar) vindo em minha direção.
- Tu tá bem cara? Eu tava vindo pra cá quando vi um cara te dando porrada no chão, e um pessoal tentando apartar. Tu parecia morto, cara. Como tá se sentindo, que porra foi essa?
Não respondi. Não havia o que responder. Ia dizer que estava caminhando e um gigante começou a me bater do nada? Soaria tão ríduculo quanto foi. Encostei minha cabeça no banco outra vez. Tentei respirar compassadamente.
Continua.
8 ComentáriosEssa semana vai ser complicado. Quatro dias, quatro provas precisando de notas altas e não muita paciência para o que tenho de estudar. Normal. Porém a mente divaga sem controle durante leituras chatas. Tava pensando aqui em Battlestar Galactica, não essa nova e derradeira temporada (que ainda não passei do terceiro episódio). Na verdade eu estava vendo essa foto aqui e me lembrei de Galactica. Sabe aquelas naves deles? Os Vipers? Pois então, eu estava pensando exatamente nisso. Eu lá, sozinho e sendo encurralado por Cylos furiosos, ligo o FTL e dou um pulo pra algum lugar totalmente randômico, só na esperança de sumir daquele lugar. Isso, fujo que nem uma pussy.
Aí eu paro num lugar como esse, nascendo o sol assim. Imediatamente começa a tocar Sunrise in Aries do God Is An Astronaut bem alto, como se toda vez que o sol nascesse nesse novo planeta alguma música assim tocasse. Aí claro os Cylons me encontram e fodem tudo. É legal divagar assim, que nem quando eu assistir Star Wars em VHS e não entendia muita coisa além dos sabres de luz, mas já sabia que o espaço é um lugar gigante e que eu queria me perder lá. É por isso que ser astronauta fica no topo das listas dos moleques, eles não sabem o que é aquele lugar escuro, não entendem muito bem o que farão lá. Mas tem a certeza a sensação de estar lá deve ser incrível.
A melhor coisa do espaço é que a gente pode ficar isolado num lugar tão longe e tão desconhecido que nem mesmo a gente se encontra. Como um cowboy que se move apenas por mover, no espaço eu iria procurar ficar tão longe e tão perdido que chegaria num momento sem volta, porque não teria pra onde voltar. Insignificância total. Just like now.
ComenteVôo 627 [ou] Fringe
16.06.2008 | Séries

Essa Fringe é a nova série do atual guru do hype pop JJ Abrams. O termo “fringe” quer dizer algo que está bastante além do normal. Seria um modo mais elegante de chamar aquilo que conhecemos na cultura pop como “sobrenatural” dentro do campo da ciência, são as experiências não ortodoxas e acontecimentos sem explicação racional. Pode colocar toda aquelas coisas legais como viagem no tempo, teletransporte, e yada yada yada dentro desse fringe. Lembrou X-files? Pois é.
Prevista para a próxima temporada de séries o episódio duplo do piloto vazou ontem (com uma qualidade assustadoramente excelente, que me faz duvidar um pouco desse “vazamento”) e acabei de assistir. Pensei que de alguma forma me impressionaria - não daquele jeito que foi com Lost “caramba, tenho que assistir essa série até final!” - mas pelo menos alguma empolgação.
Porém não teve nada de especial, a série parte de um acontecimento bizarro dentro de um avião (dessa vez é o vôo 627) onde as pessoas simplesmente, er, derretem. Agentes do FBI começam a investigação e um deles acaba por sofrer uma acidente e somente um certo Dr pode ajudá-lo. Esse Dr chama-se Walter Bishop e é uma espécia de Einsten com mentalidade de Dr. Fraknstein.
Ainda não há aquele diferencial que vai gerar burburinho como flashbacks, flashfowards, câmera na mão, monstro gigante ou algo assim. Narrativa simples, personagens um tanto padrões e um ar de X-Files e Lost, claro: passado enigmático, grande coorporação com algo a esconder e experimentos bizarros (o tal Fringe do título).
Piloto fraco que não me deixo com muitas esperanças. Mas como no mundo de Abrams as coisas tendem a ficar loucas de vez em quando, vamos ver o que os próximos episódios trazem. Produtores comentaram que a série vai seguir uma linha meio Twilight Zone e que possíveis crossovers com Lost, Heroes e porque não, Cloverfield podem ocorrer. O universo de Abrams parece que vai se conectar de vez.
ComenteDead Between The Walls [ou] Desert Session
13.06.2008 | Música
Clipes no deserto sempre são interessantes de ver. Desde os clássicos do Kyuss (e por que não do Queens Of The Stone Age?) passando por aquele do Rob Zombie que me foge o nome agora (mas que tem uma mina sensacional dançando) até chegar nesse Dead Between The Walls do Pelican. Lindo pra cacete, pesta homenagem a Green Machine do Kyuss (olhas eles aí) e fotografia que fica num jogo de revelar uma banda entrosada pacas tocando enquanto não mostra muito de seus integrantes. Aliás, bela fotografia, meu caro.
Um Camino, um barbudo, três caras empunhando suas SG e um baterista insano. Além de claro a música que pesa duas toneladas do Pelican, é só dar uma olhada nos vídeos ao vivo que tem no tubo pra sacar que os caras curtem a porrada sonora que causam no palco como ninguém. É aquela história de misturar técnica com paudurescência nível 10. O clipe tem tudo isso aí. Assisti três vezes seguidas. Em tempos de quadradinho no computador pra assistir vídeo fica cada vez mais raro uma banda que resolva fazer algo que empolgue. Sendo assim declaro assim o vídeo do mês aqui em casa.
ComenteAs pessoas que convivem comigo
11.06.2008 | Geral
Estão enrascadas. Comecei a ler O Poderoso Chefão.
ComenteSlice of Cappicola
07.06.2008 | Séries
Sensacional como é, sempre vale reassistir algum episódio de Sopranos. No terceiro episódio da terceira temporada Tony consegue descobrir uma ligação entre seus ataques de pânico e sua infância. O diálogo sobre isso é uma amostra do tipo de roteiro que essa série tinha e porque ela fica lá em cima no meu top 5.
1 ComentárioMelfi: That’s why you short-circuited. Puberty. Witnessing not only your mother and father’s sexuality, but also the violence and blood so closely connected to the food you were about to eat. And also, the thought that someday you might be called up on to bring home the bacon… like your father.
Tony: All this from a slice of cappicola?
- Kind of like Proust’s madeleines.
- What?
- Marcel proust wrote a seven- volume classic, “Remembrance of Things Past”. He took a bite of a madeleine. It’s a kind of a tea cookie he used to have when he was a child. And that one bite unleashed a tide of memories of his childhood and ultimately of his entire life.
- This sounds very gay. I hope you’re not saying that.
- No! Understanding root causes will make you less vulnerable to future episodes.
- My fucking head is swimming here.
Fuck Music para as massas
07.06.2008 | 42
Se você mora em Belém como eu seria uma boa ir lá no Café com Arte hoje a noite na FAST LOVE PARTY!, a festa de dia dos namorados do pessoal da Dançum se Rasgum porque eu e minha digníssíma senhora iremos tocar um set cheio de blueseria e fuck music ROOTS como nunca se viu nessa cidade.
Pode não funcionar bem na pista, mas vai agir DELÍCIA no teu desempenho da noite. Sou péssimo pra avisar essas coisas, mas taí, se você for lá eu te pago uma breja. Diabos, até duas.
Serviço: Dançum Se Rasgum Produciones traz a Fast Love Party, com show da banda Attack Fantasma, discotecagem de quatro DJs premiados + casais Se Rasgum e convidados e fotografias de Rodolfo Braga. A partir das 22h no Café com Arte. Ingressos: 10 dinheiros até a meia-noite e 15 após. Cuide bem do seu amor!
Hope y’all get laid tonight!
2 ComentáriosVi um monte de gente fazendo e resolvi brincar também. Quem quiser, as instruções são essas:
1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.
Pra mim deu essa banda de nome estranho metido à post-rock math. O som é como se Up-C Down-c Left-c Right-c ABC + Start resolvesse tocar de um jeito estranho tipo Battles. O disco em questão é um lançamento obscuro por um selo japonês com gravações dos primeiros ensaios da banda, quando ainda queríamos soar heavy metal e tudo mais.

Bons tempos.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
